Ser rígido na educação significa sucesso?

Eduardo Nahum

Mestre em educação

Essa é uma pergunta que todos nós nos fazemos, pais ou educadores. Em vários países, os pais estão perdendo as referencias educativas e ficando à mercê das vontades dos filhos. Essa atitude, associada à superproteção, tem criado uma sociedade de jovens dependentes, imaturos, inseguros e, ao mesmo tempo, arrogantes quanto às suas obrigações.

Essa insegurança se mistura com o que seria uma educação democrática ou mesmo liberal. Ser democrático ou liberal na educação dos filhos não significa ser conivente com tudo o que eles fazem.

Imaginemos que nossos filhos, ao chegar ao mundo, têm suas mentes limpas como um smartphone que você acaba de comprar. Quem vai determinar as informações, os contatos a serem inseridos em seu smartphone é você; então, não adianta discutir se algum vírus adentrou no seu telefone e instalou algum software indesejado, tudo isso é de total responsabilidade sua. Voltemos aos filhos. Lembre-se de que eles chegam até nós com a memória totalmente limpa, e são programados com varias informações. É claro que estamos falando, nesse caso, de seres vivos pensantes, logo temos que considerar os elementos externos de informação.

No entanto, se criarmos regras claras, estabelecermos valores sociais e exercitarmos esses valores, sem duvida a possibilidade de um vírus de informação infectar o filho torna-se bem menor. Pare para pensar suas atitudes, seu relacionamento em casa, sua vida em sociedade, da qual seu filho participa; pois bem, você vai perceber que ele está apenas reproduzindo o que ele vivenciou, só que esquecemos este detalhe.

Muitas vezes por ter tido pais muito rígidos, cometemos dois tipos de erros comuns: o primeiro é transferir toda a rigidez pela qual fomos educados, adicionando uma pitada pessoal de magoa e ressentimentos pessoais, ou mesmo frustrações. O resultado não pode ser diferente - filhos agressivos, ríspidos, autoritários e muitas vezes com sérios problemas de relacionamento em sociedade. As consequências são inimagináveis e, para piorar, não aceitamos o comportamento agressivo deles esquecendo que estão apenas reproduzindo o que aprenderam e vivenciaram.

O segundo é, por termos tido uma educação rígida, nos tornando mais complacentes, aceitando com naturalidade todas as decisões e atitudes dos filhos, o que pode custar caro no futuro. Pesquisadores observam que, nesse caso, acabam crescendo sem uma referencia de valores, peso e medidas, ou seja, tudo eu posso, tudo eu devo, tudo eu quero, consideram-se o centro do universo no que tange aos seus desejos. E terão que conviver em sociedade, e ai começam os problemas. Sem limites, acabam causando grandes transtornos.

Então, qual seria o caminho mais adequado? Acredito que o bom-senso, sem dúvidas. Já observamos que, em ambos os casos, foi trabalhado o que poderíamos chamar de educação dos extremos. Uma educação moderada que impõe limites, mas deixa o filho expressar seus sentimentos dentro do aceitável, poderá resultar em uma sociedade de jovens mais saudáveis, conscientes de seus deveres e de suas obrigações, e de pais mais comprometidos em guiar os filhos, educando-os para o mundo. Assim, as possibilidades de insucesso social poderão ser reduzidas.

Chamo atenção também para a grande expectativa que criamos em relação aos filhos, seja em casa, seja no âmbito escolar. Acredito que, no momento atual, devemos fazer com que eles deem mais importância ao ser do que ao ter. pode até parecer utopia, mas fica a sugestão.